quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Língua


Eu tenho um verdadeiro fascínio por idiomas e também pelas sensações que eles nos passam. Acho isso digno de pesquisa e, certamente, já deve ter muita gente pesquisando. Acho que as línguas espanhola e italiana, por exemplo, nos transmitem uma sensação alegre, quente, intensa. Já o Inglês passa uma sensação de seriedade, de formalidade. Logicamente, nem sempre o conteúdo da comunicação tem a ver com a sensação transmitida. Mas, certamente, a sensação transmitida também tem a ver com esteriótipos inconscientes que temos sobre os povos que falam essas línguas.
Constantemente penso em qual seria a sensação que o português deixa para quem não o tem como língua mãe. É e será uma incógnita para sempre para os brasileiros por exemplo. Por mais que os estrangeiros nos relatem, nós nunca seremos capazes de nos desprendermos do português a ponto de sentí-lo antes de compreendê-lo. Acho que é exatamente este o ponto crucial. A língua mãe é entendida de imediato, enquanto as demais são sentidas primeiramente. O entendimento só vem em um segundo momento, no caso de termos conhecimento sobre ela.
Ou seja, não temos a nossa primeira impressão sobre a nossa própria língua. Pulamos essa parte.
Tanto que, não raro, conseguimos nos concentrar em outras atividades e ainda assim entender o que está sendo dito ao redor (o diálogo de outras pessoas, um jogo de futebol na TV, uma notícia no Rádio). Mas, quando o idioma não é o nosso, mesmo que a gente o domine, é preciso parar tudo e prestar, realmente, atenção para compreender o que está sendo dito. É como se tivessemos que ligar um botãozinho de legenda no nosso cérebro. Os ouvidos não estão ligados naturalmente para as outras línguas como está para o português. É muito interessante. E mesmo o português de Portugal, pelo menos a mim, não passa sensação alguma. É pura racionalidade, compreensão imediata. Nada de sensações. Português com jeitinho diferente, mas ainda assim, o nosso português.

Eles merecem!


Pet Shop Boys receberá prêmio britânico

Por Michael Holden da Reuters

LONDRES - A carreira da dupla Pet shop Boys vai ser homenageada com o prêmio de Contribuição de Destaque Para a Música no Brit Awards do ano que vem, informaram os organizadores na segunda-feira.

Além de Neil Tennant e Chris Lowe, já foram homenageados a banda Oasis e o músico Paul McCartney, que recebeu o prêmio no ano passado.

"Desde seu primeiro Brit Awards, há mais de 20 anos, Neil e Chris produziram uma obra fantástica, com músicas que foram a trilha sonora da vida de uma geração inteira", disse Ged Doherty, chefe do comitê do Brits.

"Desde então, os Pet Shop Boys se tornaram um dos grupos mais influentes da era moderna e merecem o prêmio".

A dupla teve quatro músicas no primeiro lugar das paradas e 22 músicas entre as 10 mais bem colocadas, desde que começaram a carreira, em meados dos anos 1980.

Seu maior sucesso é "West End Girls", que chegou ao topo das paradas do mundo todo em 1986.

A dupla receberá o prêmio em fevereiro, quando ocorre a cerimônia do Brit Awards, em Londres.

domingo, 9 de novembro de 2008

Blindness- Ensaio Sobre a Cegueira


Hoje fui ao cinema ver Blindness (Ensaio Sobre a Cegueira), que considerei bem fiel ao livro do José Saramago, que deu origem à película e que é genial. É um filme forte, com cenas fortes e que causa questionamentos introspectivos inevitavelmente, tanto quanto o livro, que li há uns 2 anos. Os recursos técnicos de luz e cor dão mesmo uma sensação de estar com a visão prejudicada, como fica a maioria dos personagens o tempo todo. Meirelles, como diretor, foi brilhante mais uma vez. Realmente, não foi à toa que Saramago chegou a se emocionar quando assistiu o filme ao lado do próprio diretor. Tecnicamente, o filme foi certeiro para nos deixar aflitos com uma pequena amostra do que seria ficar cego da noite para o dia e pior: como seria ficar cego durante uma epidemia de cegueira? A partir disso, é de se pensar: como o governo trataria a questão? como seria para sobreviver? seria preciso matar, roubar, brigar? a civilidade sempre acaba nas situações extremas?

**Ah, também confesso aqui um "defeito" meu péssimo. Não consigo me desvencilhar facilmente da realidade, mesmo em um filme fictício. Passei o filme todo prestando atenção no idioma, nos sotaques e tentando decifrar lugares. É que Blindness foi dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles com idioma Inglês. No elenco, uma micelânia internacional de peso: Julianne Moore (EUA), Danny Glover (EUA), Alice Braga (Brasil), Gael Garcia Bernal (México). Fora que o Saramago, o pai da história, é português, né? Em muitas cenas tinha certeza de que estava vendo São Paulo, mas o idioma nas lojas, produtos, em tudo que aparecia era o Inglês. Ao mesmo tempo reparei um táxi padronizado preto e amarelo, nada paulistano! Na verdade, o filme teve locações no Canadá, no Brasil (São Paulo), no Uruguai. Definitivamente, um filme globalizado!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mi confésion!


Desde que estive na Argentina em março estou tentando descobrir o desconhecido universo cultural da América Latina. Lá, fiquei com MUITA vergonha de não saber exatamente nada sobre a cultura latina, que vai da Patagônia ao México. Assistindo a MTV latina percebi que o Brasil é uma ilha por causa do idioma.
Nos pubs, rolam centenas de milhares de músicas latinas, que a gente nunca sonhou em ouvir no Brasil.

O tango eletrônico é uma das minhas descobertas, apesar de estar rolando no mercado há mais de dez anos. E recomendo. Mas, nada de ficar no trivial vendido pela mídia (estilo Bajofondo na abertura da novela "A Favorita"). Vale a pena se aprofundar. Nas últimas semanas estou viciada em Gotan Project (Gotan vem de tango com as sílabas trocadas). A música "Mi Confésion" (CD Lunático, que já está nas lojas) é uma mistura de rap com tango genial. A música não sai da minha cabeça, é perfeita. Não sei explicar, acho o tango meio fatal, dramático, sentimental e ao mesmo tempo sensual. Impregna a alma.