quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Synthpop




É de uma limitação artística sem tamanho, na minha opinião, desprezar música produzida com sintetizadores, simplesmente pelo fato de não ser feita com instrumentos e métodos tradicionais. Uma coisa é ouvir um tipo de música e não gostar, outra coisa, bem diferente, é levar em consideração o método de produção usado antes de se atentar à qualidade do produto final.
Não existe na história, uma norma que restrinja o conceito de música aos instrumentos tradicionais. A música pode estar em qualquer lugar, pode ser feita por qualquer pessoa a qualquer momento. Música pode ser feita com panelas, com assobio, com a voz, com os pés, com as mãos ou com um sintetizador. O que importa, acima de tudo, é como ela fica no final, se agrada ou não os ouvidos. É uma questão de química no final das contas. O que é bom pra mim pode não ser bom pra você e respeito muito isso certamente.
Outro dia vi um vídeo do cantor nicaraguense Tony Meléndez, que não tem os dois braços e que usa os pés para tocar violão brilhantemente e fiquei imaginando quantas pessoas de visão limitada, incluindo jornalistas e críticos, não o teriam desqualificado simplesmente pelo fato dele não executar músicas da forma tradicional. Também recentemente vi um documentário sobre a vasta e complexa cultura musical dos Andes, cujos povos bolivianos se esforçam para resgatar junto às novas gerações. E pensei sobre como a sampoña _espécie de flauta típica dos Andes_, um instrumento tão intrigante, poderia ser diminuída por qualquer ser mais tradicionalista e limitado.
Ainda falando sobre o que é “diferente”, o fato é que existe um mercado uma fatia grande de bandas que trabalham com sintetizadores e que realmente entendem do assunto, fazem isso com propriedade. Engana-se quem supõe que trabalhar com um sintetizador seja fácil. É preciso técnica, conhecimento.
Existem cerca de 45 bandas do chamado synthpop reconhecidas internacionalmente como Kraftwerk, New Order, Duran Duran,Alphaville, The Buggles, Cinema Bizarre, Depeche Mode (na foto acima), Eurythmics, Erause, Human League, Yellow Mágica Orchestra, Soft Cell,Pet Shop Boys. Bandas que realmente têm enriquecido o pop, mas que, frequentemente, são colocadas na vala comum do pop com astros mais desprovidos de dons musicais (só cantam, até que me provem o contrário) e ainda mais instáveis como Black Eyed Peas ou Britney Spears.
E mais, justamente por não se apegarem aos instrumentos musicais mais tradicionais (apesar de muitas vezes saberem executá-los, caso do Pet Shop Boys) são bandas que se superam em criatividade, se arriscam e modernizam muito mais do que qualquer rockeiro tem feito, com todo respeito.
Enfim, a música evolui, não necessariamente para pior, como acreditam os mais tradicionalistas.

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