sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

'Pintando' o set




Princepezinho (Steve Warner -"O Pequeno Príncipe"), Olive (Abigail Breslin -"A Pequena Miss Sunshine"), Totó (Phillipe Noiret, da foto acima - "Cinema Paradiso"), Josué (Vinícius de Oliveira - "Central do Brasil") e Giosué (Giorgio Cantarini - "A Vida é Bela"). Já repararam como as crianças dos filmes têm sempre um papel único e conseguem, como ninguém, fazer com que adultos pensem, fiquem constrangidos e até sem respostas diante da complexidade das tramas? De tempos em tempos, os autores lançam mão deste recurso, que torna histórias ainda mais complexas, humanas e ricas. Estão em busca daquele personagem que irá desconsertar tudo, fazer perguntas ou simplesmente lançar olhares de interrogação sobre atitudes tão óbvias e impensadas.
As crianças, caem como luvas neste propósito. A espontaneidade delas permite uma inversão de valores. Em todos os filmes citados, em certo momento, os adultos _que são as referências_ se sentem constrangidos por suas próprias atitudes ou pelas dos outros adultos. Acanhados, não sabem como responder, explicar. Os papéis ficam, visivelmente, invertidos. Adultos envergonhados, como se fossem crianças arteiras. Crianças muito sérias e corajosas, como se fossem adultos atrás da verdade, doa o que doer.
O princepezinho dá o tom mais filosófico, sempre lançando pensamentos e confiança naquilo que pensa, diante de seu amigo aviador, por sua vez cheio de dúvidas. Olive sempre com seu olhar curioso sobre a família cheia de confrontos pessoais, ainda que velados para ela. Totó querendo saber a verdade sobre o pai, por vezes tão mais forte e corajoso do que sua mãe para lidar com a morte. Josué de "Central do Brasil" sempre tão seguro de si e cheio de esperança, dando aulas à Dora, a "escrevedora" de cartas. E o Josué de "A Vida é Bela", tão envolvido naquela falsa realidade criada em um campo de concentração e com uma confiança cega no próprio pai, certamente, invejável para qualquer adulto naquele contexto.
A vida dessas crianças ainda podem se tornar importantíssimos marcos para mostrar a passagem do tempo. É o caso de Totó e ainda dos pequenos Amir e Hassan (Zekeria Ebrahimi e Ahmad Khan Mahmidzada) de "O Caçador de Pipas". O crescimento deles é a própria linha do tempo.
Enfim, para quem assiste, pode até parecer uma receita pronta, mas o fato é que as crianças têm enriquecido as roteiros, quando se tornam personagens centrais, tanto pelos belas tomadas que proporcionam quanto pela "bagunça" que provocam naquilo que está arrumadinho demais.

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