terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Che



O líder revolucionário Ernesto Che Guevara foi um homem tão complexo e ao mesmo tempo tão coerente, que merece sua biografia dividida em capítulos certamente para ser melhor compreendido. "Che",do diretor Steven Soderbergh, parece uma continuação de "Diários de Motocicleta", do diretor brasileiro Walter Salles, de 2004. Enquanto este último mostrou um Che jovem, se sensibilizando com um povo sofrido no interior da América Latina, "Che" traz à tona um homem maduro, ciente do que quer, forte e decidido a lutar por seus ideais ainda que para isso precisasse arriscar sua vida pegando em armas.
É uma complementação tão instantânea que recomendo, se possível, ver os dois filmes juntos porque ambos retratam uma transformação deste homem alinhavada pelo desejo de justiça. E realmente não importa a ordem. "Diários de Motocicleta" é como se fosse uma justificativa ímpar para entender o que levou Guevara a se tornar "Che". Fisicamente, os atores que o interpretaram também mostram essa tranformação. Che vai da fase jovem, com um sorriso ingênuo nos lábios de quem descobre o mundo com Gael García Bernal até à fase de expressões fortes, marcadas pela barba, traços marcantes e um olhar decidido já com Benicio Del Toro, pelas florestas de Sierra Maestra, sempre com armas ou um charuto estiloso nas mãos. Del Toro traz à tona um Che comandante, fazendo um papel político importantíssimo para a revolução junto às comunidades, deixando de lado sua vida pessoal, sofrendo com uma tosse crônica em meio à floresta.
É quase um documentário, fugindo, inclusive, do velho clichê hollywoodiano de fazer todos os seres humanos e até ETs falarem Inglês.

Nenhum comentário:

Postar um comentário