quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Deus nas artes


Se existe um tema polêmico para ser abordado do ponto de vista artístico, este assunto é Deus. Abordar Deus em livros, músicas, peças de teatro, filmes é sempre assumir o risco de esbarrar em dois problemas. Falar de Deus pode espantar o público mais cético, caso do filme “O Grande Desafio” em que a fé proporciona uma série surreal de milagres. Outro problema é criar uma imagem Divina que desagrade, caso da comédia “Alguém Lá em Cima Gosta de Mim”, que transforma Deus num simpático senhorzinho afim de dar lições em um "filho" meio reclamão.
O livro “A Cabana”, de William Young, corre este risco. Fala de Deus abertamente do início ao fim _para receio dos leitores avessos ao fanatismo_ mas, ao mesmo tempo, aposta em uma visão mais arrojada _o que pode chocar leitores mais tradicionalistas.
O livro trata da história de Mack, um pai de família norte-americano amargurado por dramas familiares que tem um encontro inesperado com Deus. Neste encontro tenta tirar o máximo de dúvidas possível e se surpreende ao ver desmistificados preceitos religiosos, que têm moldado e, em muitos casos, azedado a relação do Homem com Deus em que acredita.
A narrativa tem seu ponto forte no início da trama, cercada por suspense e dramas reais. Mas, no seu desenrolar, o autor esmiúça o que seria Deus e qual sua real filosofia de vida. Deus aparece numa versão mais light, mais hippie e um tanto quanto high tech. É um jeito de reinventar a imagem e o conceito do complexo ser, do qual não se tem provas da existência, nem da não existência.
“A Cabana” _que tem sido sondado para se tornar filme_ esclarece em parte como seria Deus, mas alimenta o mistério em torno dele. A obra é mais uma hipótese para elucidar a história mal contada da Humanidade, da qual fazemos parte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário