domingo, 21 de fevereiro de 2010

A dor e a música



O amor não correspondido sempre foi uma questão primordial na vida das cantoras brilhantes, que tiveram sucesso estrondoso ao longo do século 20. Mas, quando assistimos "Piaf, um Hino ao Amor" _biografia de Edith Piaf_ somos surpreendidos ao perceber que Edith ( interpretada por Marion Cotillard, vencedora do Oscar de melhor atriz em 2008) fugiu à regra. O amor não correspondido, possivelmente, não foi o motivo maior de sua sensibilidade artística. Além de ganhar outros contornos, a dor não foi parceira de Edith já adulta, mas, sim, por toda sua vida, incluíndo a infância.
Edith foi abandonada pela mãe, foi deixada pelo pai, foi desprezada pela avó, foi arrancada dos braços da única mulher que realmente se importava com ela _a prostituta Titine. Aliás, viveu anos em um prostíbulo, teve cegueira temporária, depois viveu anos nas rua e chegou a perder uma filha de meningite, quando ainda era muito jovem e absolutamente desconhecida. E tudo isso em uma época de miséria e guerra, no período após a 1ª Grande Guerra Mundial. Ufa!
Ah, sim, Piaf teve um grande amor. O lutador de boxe Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins), que era casado. O fato é que, ao que tudo indica, Piaf encarou com naturalidade o fato de ser a outra e se conformou em ficar no segundo plano, sem muita crise. Além disso, Marcel também parece, segundo o filme, não ter sido um amante canastrão. Era amável e se preocupava com Edith. A única e fatal dor de amor de Edith viria com a morte do amante em um acidente de avião, não por não ter seu amor correspondido.
Mesmo sem aquela velha dor de amor _que tradicionalmente inspirou divas por todo o mundo_ Piaf experimentou do jeito mais amargo e racional outros tipos de dores, teve uma vida mergulhada no alcoolismo, mais tarde também em aplicações de morfina, mas sua alma tão castigada lhe permitiu que fizesse interpretações únicas e geniais.

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