quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Malandragem



A cantora Fabiana Cozza _que faz parte de uma nova e inspiradora geração de sambistas_ fez algo especial pelo gênero no seu DVD "Quando o Céu Clarear", de 2008. Ela resgatou um dos sambas mais simples e clássicos dos anos 80: "Malandro Sou Eu", de composição de Arlindo Cruz, Sombrinha e Franco. Descobri Fabiana recentemente em um programa da TV Cultura, gostei muito e fiquei emocionada ao ouvir esse partido alto, que na minha lembrança era cantado por Beth Carvalho. A letra é uma ode à sobrevivência às mazelas, sejam sociais ou não, traz à tona a velha discussão dos intelectuais sobre a malandragem do brasileiro e faz mais: esclarece, ilumina, desmistifica o assunto de um jeito genial. A letra parece negar que maior parte do povo brasileiro não é composta de malandros natos, mas se esforça e gostaria de ser porque, muitas vezes, é um jeito menos doloroso de se sobreviver. Apesar do título,é uma música, que não parece se referir ao malandro legítimo, mas, sim do brasileiro que está no ponto de ônibus com a pasta cheia de currículos, na janela do barraco lá na periferia, na fila do banco esperando, com determinação, para pagar suas contas.


"Malandro Sou Eu"


Segura teu santo, seu moço
Teu santo é de barro
Que sarro dei volta no mundo voltei pra ficar
Eu vim lá do fundo do poço
Não posso dar mole pra não afundar
Quem marca bobeira engole poeira
E rasteira até pode levar
Malandro que sou, eu não vou vacilar
Sou o que sou ninguém vai me mudar
E quem tentou teve que rebolar
Sem conseguir
Escorregando daqui e dali
Malandreando eu vim e venci
E no sufoco da vida foi onde aprendi
Por isso que eu vou
Vou... eu vou por aí
Sempre por aí... esse mundo é meu
E... onde quer que eu vá
Em qualquer lugar... malandro sou eu

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