quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Avatar" em Copenhague 2011


O bombástico "Avatar", que promete ser fenômeno de bilheteria em 2010, já tráz muitas críticas por aí ao expor uma contradição saliente entre produção e roteiro. Enquanto, as cenas são consideradas impecáveis com uma injeção da tecnologia mais reconhecidamente moderna nos seus efeitos especiais, a pobreza de conteúdo e a previsibilidade de cena após cena são um ponto fraco indiscutível.
Mas, pensando bem aqui com meus botões, acho que "Avatar" tem raizes, talvez até sem querer, na contradição da própria realidade em que estamos submersos. A tecnologia é um show, é, realmente, incrível e fascinante. Mas, no campo dos conceitos estamos ou não estamos altamente atrasados quando falamos sobre meio ambiente e direitos humanos? Tive a sensação de "já ter visto esse filme antes", quando eles abordam o modo de vida daquela tribo tão arcaica, religiosa e profundamente ligada à natureza. A sensação é de ter voltado ao livro de História amarelo da 5ª série, que tratava da colonização portuguesa, aquela mesma que destruiu impiedosamente as tribos indígenas. Até as flexas eram iguais!
Mas, fiquei pensando que talvez para a maioria das pessoas, tudo isso poderia ser uma grande novidade, que a maioria delas realmente nunca teria parado para pensar sobre o valor das civilizações, a maioria não deve ter estudado o mesmo livro amarelo tosco que eu, é a única explicação para a falta de compreensão e preocupação do mundo com florestas e povos primitivos.
Nesse aspecto, "Avatar" parece ser um filme para educar pessoas e envegonhar governantes gananciosos. E isso me surpreendeu. A tecnologia de ponta eu já esperava. Enfim, o roteiro "água com açúcar" é um bom começo para quem não enxerga ou não quer enxergar além do dinheiro, bem que poderia ser exibido em Copenhague 2011.

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