domingo, 21 de fevereiro de 2010

Som Saboroso


Trilha sonora em filme é um adicional delicado, porém altamente valioso. Quanto a trilha é bem escolhida, bem pensada, não há quem resista e não se permita mergulhar no clima do filme. Este é o caso do brasileiro "Estômago", muito bem temperado com uma trilha deliciosa.
"Estômago" mostra a batidíssima história de ingenuidade e miséria de um nordestino que chega ao sul do país com uma mão na frente e outra atrás em busca de oportunidades, no caso, estamos falando de Raimundo Nonato (João Miguel). O diferencial do personagem está no fato dele saber cozinhar e muito bem. O dom se tornaria sua tábua de salvação em todos os sentidos de sua vida, inclusive quando é preso e precisa se submeter à hierarquia absolutamente cruel de um presídio. Nonato conquista uma mulher, conquista dois patrões, conquista conhecimento, e os primeiros passos de uma vida digna, com a qual sonha. Tudo pelo fato de ter boas mãos para lidar com a cozinha.
A produção tenta envolver quem assiste com belas imagens do habilidoso Nonato cortando alho, cebola, ervas. Mas, é a trilha sonora que dá o tom de leveza da gastronomia em meio à uma realidade deveras pesada. As músicas, basicamente instrumentais, conduzem o roteiro entre os momentos cotidianos (com um assobio) e os momentos poéticos de Nonato às voltas com a culinária (com um canto delicadamente feminino).
Tudo composto pelo italiano Geovanni Venosta, consagrado por trilhas em produções premiadas de seu país: “Pão e Tulipas” (2000), “Queimando ao vento” (2002) e “Ágata e a tempestade” (2004). A trilha de "Estômago" é tão enigimática, que por vezes parece personificar os próprios pensamentos do protagonista. É o tipo de trilha que não passa despercebida. Simples, ingênua, poética tanto quanto Nonato.

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