domingo, 14 de março de 2010

Filme brasileiro e policial, sim senhor


É incrível como "Verônica" (de 2009, com direção de Maurício Farias) tinha todos os ingredientes para ser uma releitura de "Central do Brasil" (de 1998, com direção de Walter Salles), mas acaba seguindo uma linha de produção diferente e surpreendente. "Verônica" também traz à tona um menino muito pequeno, ingênuo e sozinho (Leandro, interpretado por Matheus de Sá) em um contexto de miséria e violência, altamente perigoso e mais brasileiro do que nunca. Para protegê-lo, Verônica surge como a heroína que entra em sua vida por acaso, como um anjo da guarda meio contrariado, tal qual Dora em "Central do Brasil". São mulheres sofridas com a condição econômica e com a solidão, mas que não conseguem ignorar essas crianças e, por mais que resistam, acabam se envolvendo com suas histórias de vida e pior, precisam jogar tudo para o alto e abrir mão de suas próprias vidas na tentativa para poderem ajudar estes meninos. E, como se não bastasse tudo isso em comum, ainda há o fato de Andréa Beltrão ter tido uma atuação brilhante como Verônica, seguindo de forma digna os passos da veterana Fernanda Montenegro em "Central do Brasil".
Mas, tirando a introdução, "Verônica" logo expõe a que veio. Estamos falando de um filme policial, cheio de adrenalina, cheio de reviravoltas bem alinhavadas com o ex-marido de Verônica, Paulo (interpretado por Marco Ricca). Um filme de boa qualidade, ainda mais neste perfil de ação, em que as produções brasileiras não costumam se arriscar muito. "Verônica" tem uma toada muito mais violenta do que "Central do Brasil". É um filme que peca na qualidade do elenco em geral, mas acerta em boas tomadas _que disparam o coração_ e na atuação competente de Andréa Beltrão.

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