domingo, 14 de março de 2010

Não há lugar como a nossa casa



Faz muito tempo que "nossa casa" tem deixado de ser simplesmente um prédio,uma mera construção, para se tornar algo muito mais relevante nos roteiros de cinema. Nas produções infantis, as casas têm se tornado elementos importantes, quando não verdadeiros personagens dos roteiros. Já em 1939, a casa subiu aos céus junto com Doroty em "O Mágico de Oz" (do diretor Victor Fleming), carregada por um violento tornado. Nos filmes de animação, por exemplo, temos em 2006 a casa que ganha vida, hábitos e reações humanas, em "A Casa Monstro"( do diretor Gil Kenan). A casa "encarna" o espírito da mulher do velho Nebbercracker e passa a praticar crueldades contra as crianças da vizinhança. Mas, apaixonado por sua mulher, Nebbercracker tenta protegê-la a todo custo e vive o dilema de ter que exterminá-la para evitar incidentes com os vizinhos.
O premiado "UP, Altas Aventuras" (direção de Peter Docter, que ganhou o Oscar 2010 de Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora Original), caminha nesta mesma linha. Dessa vez a casa não tem movimentos próprios, mas é encarada o tempo todo pelo personagem Carl Fredricksen como se fosse sua própria mulher, a falecida Ellie, por quem ele era apaixonado. Carl planeja uma viagem sonhada desde a infância e cria seu próprio método para levar a casa junto. Passa o tempo todo zelando pela casa, que divide cena após cena com os demais personagens: o menino Russel, a ave Kevin e o cão falante Dug . O retrato de Ellie na parede é um indício de que Carl cultiva justamente na casa todas as lembranças de seu casamento feliz com Ellie. Ele não mede esforços para salvar sua casa ou sua Ellie. Chega a ser colocado em uma situação onde precisa escolher entre defender a casa e a ameaçada ave Kevin, opta pela casa. No fim, entretanto, aceita a perda de sua mulher _personificada pela casa_ e a deixa descansar no local onde sonhava viver desde sua infância: o Paraíso das Cachoeiras, na América do Sul, que foi inspirado na região da divisa entre a Guiana, Brasil e Venezuela.
Apesar dos filmes citados acima serem infantis, a temática da casa que se torna personagem tem a ver com sentimentos que nos perseguem mesmo na vida adulta. O apego com a casa onde se vive não tem idade e também se tornou coisa de adulto no assustador "Os Outros" (2001,direção de Alejandro Amenábar) ou no clássico "E O Vento Levou" (de 1939, com direção de Victor Fleming, George Cukor e Sam Wood). Quem não se lembra de Tara, a fazenda de valor inestimável para Scarlett?

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