quinta-feira, 4 de março de 2010

Madonna 'clean'


Nessa fase onde nunca se viu tantos produtos enlatados e descartáveis no mercado fonográfico, é preciso admirar minuciosamente aqueles que conseguem manter uma carreira longa, de durabilidade generosa.Em todos os casos que se enquadram nesta situação, assistimos períodos de alta produtividade mesclados com outros mais acanhados. Muitos acertos, diversos outros tantos tropeços e muitas, muitas fases diferentes. Madonna é, sem dúvida, o maior ícone dessa longa estrada da música, onde criar, recriar, mudar é preciso.
Olhando bem para trás, a Madonna dos anos 80 foi um personagem e tanto. A menina bem brega, com pinta artificial no rosto e cheia de energia. É a Madonna das melodias toscas, das letras abusadas com pinceladas de inocência. É "Holiday","Like a Virgin", "La Isla Bonita", "Cherish", "Material Girl". Talvez somente "Like a Prayer" tenha vindo um pouco mais elaborada, com um coro de igreja fantástico.
Eis, que chegam os anos 90. Madonna ganha uma cara nova, dessa vez quer encarnar um personagem exacerbadamente sensual. "Erótica" é o quinto álbum. Madonna fala de fantasias sexuais, de sado-masoquismo, dá a entender que é homossexual. Faz, filme, faz vídeo, músicas. Tudo em torno do sexo. Madonna quer chocar. Quando não quer, faz canções de amor enfadonhas como "Rain".
Foi somente em 1998 _16 anos depois de ter iniciado efetivamente sua carreira_ que Madonna pôde rasgar suas fantasias para mostrar-se realmente como uma cantora poderosa apostando em nunances musicais verdadeiramente arrojadas. Madonna renasce em sua própria carreira de um jeito clean e cheio de sabedoria.
"Ray of Light", lançado neste ano, pode ser considerado o seu divisor de águas ou, literalmente, o raio de luz que iluminou a carreira de Madonna. Dizem que foi pela yoga ou pelo pilates, o fato é que "Ray of Light" e "Frozen" trazem uma Madonna com uma voz altamente densevolvida e a introduz definitivamente no universo da música eletrônica.
De lá pra cá, Madonna é fantástica. Perfeita. Implacável. Em 2005, foi a vez de "Confessions on a Dance Floor", o CD mais incrível de Madonna. Além da clássica "Hung Up" (com sample do Abba),temos a ultradançante "Sorry". Mas, ainda recomendo "Isaac" e "I Love New York", cheias de roupagens dançantes, misturando trechos a discoteca dos anos 70, de sons eletrônicos ou sonoridades orientais. Impossível cansar de "Confessions on a Dance Floor".

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