sábado, 20 de março de 2010

Teatro na rua


Costumo pensar que pessoas podem gostar ou desgostar de diferentes formas de arte por pura falta de conhecimento. E isso me deixa aflita. Bem como defendo a democratização da comida, da educação e do lazer, também sou assídua defensora da democratização das artes. Acredito que todos têm o direito de, pelo menos, conhecer propostas diferentes e, aí sim, escolherem suas preferências.
Essa reflexão me ressurge após ter visto hoje pela manhã cerca de 200 pessoas paradas no meio da rua para assistirem uma brilhante comédia apresentada pela Cia de Teatro Bocaccione. O grupo, formado por jovens atores, improvisou um palco em pleno calçadão _demarcado por uma corda_ e incluiu música (executada pelos próprios atores) em uma performance engraçada e altamente interativa. Muita gente passou reto _com pressa para a gastança nas lojas possivelmente_, mas muitos outros pararam e, visivelmente, se permitiram rir e se divertir. O entusiasmo daquela plateia improvisada diz tudo. Diz que a leitura popular tem sido subestimada e que a oferta tem sido bastante limitada. O fato é que a maioria das pessoas "almoça" o que tem, não pôde provar outros temperos, não tem embasamento para pedir que outros "pratos". Eis um grande desafio de quem produz, divulga ou financia arte neste país.

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