quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ofegante


Além de causar mais uma boa e profunda reflexão sobre a irracionalidade dos conflitos humanos, o premiado "Guerra ao Terror" (direção de Kathryn Bigelow), Oscar de melhor filme em 2010, é um filme denso e ofegante,uma verdadeira tortura psicológica para quem assiste.
A história que mostra o dia a dia de um esquadrão anti-bomba do exército norte-americano no Iraque, expõe desde as diferenças hierárquicas até a insegurança como constante na vida dos soldados no Iraque. Já o close nas expressões dos soldados,o cenário de destruição, os diálogos éticos que permeiam o filme e a escolha de atores desconhecidos o tornam muito parecido com um documentário.
A agonia a quem assiste se dá porque a cada dia os soldados enfrentam uma nova situação limite em que ficam com suas vidas por um fio. E assim sucessivamente, perdendo amigos, perdendo "inimigos", vendo a tragédia humana a cada segundo.
Ainda, que alimentando a eterna ótica ianque dos soldados-heróis no cinema, "Guerra ao Terror" nos faz um favor ao escancarar de um jeito mais humano a situação delicada dos soldados, que, por uma questão de sobrevivência, convivem com o fantasma da desconfiança em tempo integral com relação aos iraquianos. Um martírio para os iraquianos _sem liberdade em sua própria terra_ e um martírio para os soldados _que ficam com a vida por um fio em uma terra estranha.

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