quinta-feira, 8 de abril de 2010

Coco pela metade


A não ser por mais uma excelente atuação de Audrey Tautou, "Coco Antes de Chanel" me parece um filme frio demais para tratar da vida de uma mulher, ainda mais quando esta mulher é de vanguarda como a estilista Gabrielle Chanel, a Coco. O filme, como propõe o título, mostra Coco antes da fama. As cena iniciais são muito belas e emotivas, mostram Coco e sua irmã, Adrienne, ainda pequenas sendo abandonadas em o orfanato pelo próprio pai e um pouco da expectativa que elas alimentaram de que ele um dia voltasse para resgatá-las. Mas, a partir daí, o filme se perde. Isso tudo ainda bem no começo. Detalhes importantes da infância de Coco são "pulados". Não se mostra, por exemplo, como se deu o contato de Coco com o mundo da costura, o que, aparentemente, teria ocorrido através das freiras do orfanato. O máximo que vemos é uma certa atenção demasiada da menina com relação ao corte e às cores dos hábitos das freiras, o que inspiraria mais tarde sua fixação por preto e branco. O filme é confuso, não deixa claro também se Coco é oportunista ou ingênua. Também senti falta de elementos tradicionais do cinema europeu como aquelas lacunas de silêncio, que só eles sabem colocar tão bem em um roteiro. O fato, porém, é que "Coco Antes de Chanel"teve ainda uma terceira falha relevante, senão devastadora para o filme: o final inconsistente. A glória de Channel, que é a sua grande volta por cima, e que é o momento esperado, fica apagada em uma cena depressiva em que a protagonista na prática ainda vê o amor ofuscar seus louros. Pode até ser que a minha visão seja conservadora, mas acho difícil que alguém não queira ver o final feliz de alguém que batalhou, ainda mais quando sabemos que este final feliz de fato aconteceu. Isso aconteceu em "Piaf, Um Hino Ao Amor", por exemplo, onde curiosamente a protagonista tem alguns pontos em comum com Coco, como o abandono na infância, a proximidade com bordéis e a França como cenário, é claro. Pelo menos do ponto de vista social e profissional, Chanel foi um ícone, quebrou tabus, bateu o pé até ser reconhecida e conseguiu. Mas, essa parte da história não faz parte do filme.

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