domingo, 4 de abril de 2010

Não Deixe o Tango Morrer


O tango está para Buenos Aires-Montevidéu como o samba está para Rio de Janeiro-São Paulo. Essa comparação, que poderia ser feita em qualquer conversa rasa de bar, fica mais fácil de se assimilar quando assistimos o documentário sobre tango "Café de Los Maestros" (traduzido no Brasil para "Café dos Maestros"). Não estamos falando simplesmente de ritmos. São, praticamente, estilos de vida. Mais: verdadeiros elementos de resistência em um continente varrido pelo colonialismo. "Café dos Maestros" foi idealizado e dirigido por Gustavo Santaollala, que venceu o Oscar por canções em "Diários de Motocicleta", "O Segredo de Brokeback Mountain" e "Babel". O documentário ainda traz umas pitadas de Brasil com co-produção de Walter Salles Júnior e patrocínio da Petrobras.
É uma viagem de descobertas fascinantes. Sim, porque o tango, bem como o samba, tem uma história imensa, com um repertório gigante e músicos absolutamente apaixonados. O documentário reúne a nata de "tangueiros" dos anos 40 e 50, hoje já velhinhos, porém com o mesmo vigor musical. Estamos falando Leopoldo Federico, Lágrima Ríos e seu violonista Aníbal Arias, do dueto Libertella e José Luis Stazo, do pianista Carlos García, dentre outros nomes. Para nós, brasileiros _que em média temos um conhecimento superficial sobre o tango_ o documentário reafirma justamente o fato de conhecermos somente a pontinha de um verdadeiro iceberg cultural. Já na Argentina e no Uruguai, essas figuras, merecidamente, ainda hoje são amadas por um público saudoso, que reúne fãs de gerações diferentes. Ao final,uma apresentação no teatro Cólon (Buenos Aires) mostra um a um estes astros de cabelos grisalhos, que jamais se aposentarão do tango.

Nenhum comentário:

Postar um comentário