domingo, 11 de abril de 2010

Revira e volta



Eu adoro uma surpresa no cinema, mas tenho que admitir que surpreender o público não é uma missão fácil. Os riscos são muitos e das duas uma: ou o filme fica verdadeiramente surpreendente ou pode se tornar uma mistura de mediocridade com surrealismo.
Por exemplo, "A Estranha Perfeita" (direção de James Foley)é medíocre e surreal no meu entendimento, enquanto outro filme que trabalha os mesmos elementos, "Fora de Rumo"( do diretor Mikael Hafström), consegue, sim, ser um filme verdadeiramente surpreendente. Ambos exploram um clima sensual entrecortado por momentos de tensão.
No primeiro caso, nem a presença dos badalados Halle Berry e Bruce Willis poderia dar um jeitinho. "A Estranha Perfeita" começa bem, avança para o muito bem, mas no final passa do ponto e beira o rídiculo. Cá entre nós, um bom filme que se propõe a fazer suspense tem de expor todos os detalhes, todas as possibilidades para que o telespectador possa desenvolver suas próprias linhas de raciocínio. Se ao chegar no final, o roteiro traz uma série de detalhes não revelados, o público fica com uma sensação de deslealdade, de que jamais poderia desvendar os mistérios não por ter farejado errado, mas por não ter acesso à "investigação" inteira. Em "A Estranha Pefeita", a jornalista Rowena Price tenta descobrir quem matou sua amiga de infância, com grande possibilidade de ter sido um magnata da publicidade. Mas, ao longo da trama, as possibilidades mudam tanto, são tantas reviravoltas, que o final é absolutamente imprevisível muito mais pela falta de elementos de embasamento do que pela inteligência admirável do autor.
"Fora de Rumo" é um filme pelo qual ninguém daria nada. Charles Schine (Clive Owen)é casado e Lucinda Harris (Jennifer Aniston)também , mas se conhecem, se sentem atraídos e não resistem ao pecado do adultério. A diferença é que logo no início já ocorre a única reviravolta do fime, quando Schine descobre algo impensável dessa relação e passa quase toda a trama tentando sair da encrenca na qual se meteu. A rigor, uma história mais verossímil, mais ofegante, surpreendente mesmo com todos os elementos a que o público tem direito.

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