sábado, 3 de abril de 2010

Os arquivos de Lilly Rush


Existe um seriado policial chamado "Cold Case" (traduzido para "Arquivo Morto" no Brasil)que tem sido um verdadeiro vício para mim nos últimos três anos. O mote da série é o dia a dia de um departamento da polícia da Filadélfia, que se especializa em reabrir casos de homícios arquivados sem solução. A maioria dos crimes ocorreu entre 1950 e 2005. Os episódios, sob a direção de Jerry Bruckheimer, pinçam uma brecha na Justiça. Os roteiros sempre mostram familiares, amigos, conhecidos engasgados com o sistema por perderem alguém querido e nunca terem visto alguém ser preso pelo crime. Logicamente, é um seriado que tem suspense, mas diria que seu grande atrativo é o aspecto emocional.
Se nos EUA, arquivar investigações de homicídios já é algo comum _como mostra o seriado_ imagine no Brasil, onde convivemos com uma avalanche de injustiças. Neste sentido "Cold Case" tem a mesma receita do brasileiro e jornalístico "Linha Direta", que trabalhava com casos verídicos e que era muito bem produzido diga-se de passagem (exibido entre 1999 e 2008).
Um diferencial de outros seriados é que "Cold Case" faz um jogo entre presente e passado, rejuvenescendo e envelhecendo personagens, cenários, costumes e até as músicas. Tudo é reconstituído nas lembranças dos personagens que prestam depoimento e, geralmente, com os mesmos atores. A técnica é excelente e nessas idas e vindas, é possível se deparar com elementos culturais importantes de cada época como o feminismo, racismo, Ku Klux Klan, hierarquias, narcóticos, estereótipos, anabolizantes A trama é sempre tão bem amarrada, que nos primeiros episódios que assisti, cheguei a ficar em dúvida se não se tratava de histórias reais.
A protagonista Lilly Rush (Kathryn Morris)é uma mulher solitária e cheia de limitações em sua vida pessoal, mas altamente determinada a trabalhar duro no meio de policiais durões e assassinos mentirosos.
Voltando à música, o "Cold Case" é o seriado que sabe usá-la para enriquecer suas tramas como nenhum outro. Primeiro porque os episódios são regados a ambientações moldadas por elas. Vamos aos anos 50 com Jerry Lee Lewis, aos 80 com Depeche Mode, aos anos 90 com Nirvana. E no final, sempre bem sucedido, existe uma música com uma mensagem de justiça e esperança para dar um toque final.
E sempre ao som de uma bela música que Lilly ou um seus parceiros, como Scotty Valens (Danny Pino), têm visões da vítima agora satisfeita com a Justiça sendo colocada em prática, o que pode ser entendido como um emblema espírita ou nada mais que um toque de imaginação num momento de alívio, quando a vítima supostamente descansará em paz.

SBT:
* Segunda à sexta-feira, logo após Uma Rosa Com Amor, às 21:15 - 1ª temporada -
* Domingo, logo após Harper's Island, às 01:00 - 4ª temporada

Warner Channel:
* Segunda-feira, às 21:00 - 7ª temporada

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