quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cena latina, silêncio europeu


Com seu título sugestivo, o filme peruano "A Teta Assustada" trata de um tema tipicamente latino, porém com uma linguagem carregada de introspecção, bem ao estilo europeu. O roteiro gira em torno da vida de Fausta (Magaly Solier), uma descendente de povos andinos que vive na periferia da metrópole Lima. Criada e superprotegida pela mãe, Fausta tem um choque de realidade ao perdê-la e ser ver sozinha tendo que enfrentar todas as diferenças culturais entre o seu universo de origem e o universo complexo e moderno de uma grande cidade. O medo delineia sua história de introspeção em meio aos hábitos urbanos recorrentes. Enquanto suas primas se preocupam exclusivamente em se casar, Fausta, também moça, convive diariamente com o medo de ser estuprada. Enquanto sua patroa é uma musicista clássica e da alta sociedade peruana, ela praticamente sussurra seu próprio cancioneiro no idioma quíchua (dialeto indígena falado por grupos étnicos que ocupam a Cordilheira dos Andes) e se esforça na ânsia de obter seu suado dinheiro para poder fazer o funeral da própria mãe. Fausta resiste bravamente e vive o conflito de manter sua crença em todos os mitos e hábitos andinos agora tão ridicularizados e massacrados pela cidade grande. Apesar de ser entrecortado por festas de casamento tradicionalmente latino-americanas, roupas coloridas e cumbia, é no olhar assustado e no silêncio de Fausta que "A Teta Assustada" constróe sua poética história, que venceu o Festival de Berlim e chegou a ser indicada para a estatueta de melhor filme estrangeiro no Oscar 2010.



título original: "La Teta Assustada"
lançamento: 2009
país: Peru
direção: Claudia Llosa