sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Árduo trabalho de investigação


Quando você começa a assistir “Vidas que se Cruzam”, logo começa um espontâneo e árduo trabalho de investigação. A ideia é tentar entender o que as personagens Gina, Sylvia e Maria têm em comum. Elas estão em contextos absolutamente diferentes, em tempos diferentes, porém com uma pitada de elementos familiares.
Vamos às descrições iniciais. Sylvia (Charlize Theron) é uma daquelas mulheres cheias de paradoxos, que tem grande equilíbrio e estabilidade na vida profissional, enquanto vive uma crise de identidade sem precedentes em sua vida pessoal. Gina (Kim Basinger) é uma mãe de família de meia idade, que tem sua vida sugada pelos cuidados com a casa, os quatro filhos, o marido e que, apesar seu estilo conservador, arranja um amante. Por fim, Maria (Tessa La), uma menina de 11 anos que é fiel escudeira do pai, por quem aparentemente foi criada e educada.
As paisagens também ajudam a complicar qualquer teoria. A moderna Sylvia está na sofisticada cidade de Portland, em um frio avassalador, enquanto Maria e Gina estão em cidades pacatas sob um sol escaldante próximas ao México.
A primeira pista sobre a ligação entre as personagens é o título do filme, que em português entrega mais o jogo do que o original em Inglês: “The Burning Plain”. A segunda é alinhavada pela presença dos personagens mexicanos típicos, com direito à velha pele dourada, cabelos escuros e as falas em espanhol.
Nessa aura de mistério, a película, que trabalha inicialmente com dramas isolados, se revela de um modo inesperado, surpreendente e pode nos deixar uma indagação filosófica sobre julgar pessoas.
Do ponto de vista cinematográfico, o diretor Guillermo Ariaga (de Babel e 21 Gramas), reafirma seu compromisso com a quebra de linearidade nos roteiros. Um jeito inovador e inteligente de tornar histórias ainda mais interessantes.

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